sábado, 29 de novembro de 2025

STJ fixa interrogatório de adolescente ao final da instrução em atos infracionais.


A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Tema 1.269 sob o rito dos recursos repetitivos, firmou entendimento de que, nos procedimentos para apuração de ato infracional, além da audiência de apresentação do adolescente, prevista no artigo 184 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), deve ser aplicado, de forma subsidiária, o artigo 400 do Código de Processo Penal (CPP). Assim, passa a ser obrigatório o interrogatório do adolescente ao término da instrução processual.

Segundo o colegiado, a ausência desse procedimento poderá gerar nulidade, desde que a parte prejudicada alegue o vício na primeira oportunidade, sob pena de preclusão. O entendimento, aprovado por unanimidade, deverá ser seguido por todos os juízes e tribunais do país, conforme disposto no artigo 927 do Código de Processo Civil (CPC). A decisão vale para processos cuja instrução tenha terminado após 3 de março de 2016.

O relator, ministro Rogerio Schietti Cruz, destacou que o artigo 3º do ECA assegura aos adolescentes todos os direitos fundamentais da pessoa humana, reforçados pela proteção integral da lei. O ministro também lembrou que o artigo 110 do ECA impede a privação de liberdade de adolescentes sem respeito ao devido processo legal.

Historicamente, o STJ não exigia o interrogatório do adolescente ao final da instrução, considerando suficiente a audiência de apresentação para decidir sobre internação ou remissão. No entanto, a jurisprudência evoluiu e, em 2023, a Terceira Seção passou a exigir a aplicação do artigo 400 do CPP nesses casos, modulando os efeitos da decisão para processos instruídos a partir de março de 2016.

Para o ministro Schietti, a ordem de produção de provas prevista no artigo 400 do CPP é fundamental para garantir os direitos dos adolescentes. Ele ressaltou que o interrogatório, como meio de defesa, deve ocorrer ao final da instrução, permitindo ao representado influenciar a formação da convicção do juiz. "Ninguém pode se defender daquilo que desconhece", afirmou, reiterando a necessidade de garantir um processo legal justo para adolescentes.

A decisão da Terceira Seção consolidou cinco diretrizes essenciais para a apuração de atos infracionais:

Após a representação, deve-se realizar audiência de apresentação para decisão sobre internação provisória e possibilidade de remissão, que pode ser concedida antes da sentença.

Nesta audiência inicial, é proibida a produção de provas, e eventual confissão não pode, sozinha, fundamentar a condenação.

Em razão de lacuna legislativa, aplica-se o artigo 400 do CPP ao procedimento do ECA, garantindo ao adolescente o interrogatório ao final da instrução, após ciência das provas contrárias.

O entendimento vale para processos com instrução encerrada após 3 de março de 2016.

A nulidade deve ser arguida oportunamente, sob pena de preclusão.
Os números dos processos permanecem em sigilo judicial.

Impacto no Dia a Dia dos Advogados

A decisão do STJ traz impactos diretos para advogados criminalistas, especialmente aqueles que atuam em defesa de adolescentes em conflito com a lei. O novo entendimento exige atenção redobrada ao rito processual, impondo a necessidade de requerer o interrogatório ao final da instrução e de alegar nulidade em tempo oportuno, quando necessário. Advogados que atuam na área de infância e juventude, bem como defensores públicos, deverão adaptar estratégias e peças processuais para assegurar o efetivo exercício da autodefesa dos adolescentes. A medida reforça o devido processo legal e pode influenciar carreiras ao aumentar a demanda por acompanhamento técnico especializado em audiências e recursos.

Fonte: Direito Real


Conselheiro tutelar é afastado por 180 dias após denúncia de intimidação contra estudantes e abuso de autoridade.


Um conselheiro tutelar foi afastado por até 180 dias após uma denúncia de intimidação e abuso de autoridade a estudantes, em Uberaba. A decisão do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdicau) foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM) na quinta-feira (27).

Segundo a Polícia Militar (PM), na segunda-feira (24) os militares foram acionados na Escola Estadual Minas Gerais após uma briga entre três alunos de 18 anos. Depois que os jovens deixaram o prédio, o conselheiro, que é pai de um dos envolvidos, ameaçou os outros dois afirmando que “iria prendê-los”.

À PM, ele negou as ameaças. Todos os envolvidos, incluindo os responsáveis pelos demais alunos, assinaram um termo circunstanciado de ocorrência (TCO).

O nome do conselheiro não foi informado, e por isso o g1 não conseguiu identificar a defesa dele para solicitar um posicionamento.

Em nota enviada à TV Integração, a Secretaria de Estado de Educação informou que a direção da escola tomou as medidas imediatas ao tomar conhecimento do caso, acionando a PM e o Conselho Tutelar.

A Superintendência Regional de Ensino de Uberaba, responsável pela coordenação da unidade, comunicou a situação à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, que deve analisar a conduta do conselheiro.

Questionada pela TV Integração, a Comdicau confirmou que instaurou um processo administrativo disciplinar para analisar a conduta do conselheiro. As decisões serão publicadas oficialmente após a conclusão da apuração.

Durante o afastamento, uma conselheira suplente foi nomeada para assumir temporariamente o cargo.

Fonte: G1




quinta-feira, 27 de novembro de 2025

CONVOCATÓRIA: 5º ENCONTRO NACIONAL DE FORMAÇÃO CONTINUADA PARA CONSELHEIROS TUTELARES DE DIREITO E ATORES DO SGDCA.



Convidamos, Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares, Conselheiros de Direito, membros do Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes de todo o país para participarem do 5º ENCONTRO NACIONAL DE FORMAÇÃO CONTINUADA PARA CONSELHEIROS TUTELARES DE DIREITO E ATORES DO SISTEMA DE GARANTIA DE DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES (SGDCA), que acontecerá entre os dias 16, 17, 18 e 19 de dezembro de 2025, na cidade de Santa Cruz do Capibaribe-PE.

O evento tem como Objetivo elevar o nível das importantes discussões referentes ao Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes como um todo, discutindo também as legislações, ações e medidas acerca da implantação das Políticas Públicas e Garantia dos Direitos da Infância e Adolescência, sendo assim, de estrema relevância para o fortalecimento da Rede de Proteção à criança e ao adolescente, sensibilizando a sociedade para a importância da prevenção e do enfrentamento de todos os tipos de violações de Direitos.

O evento contará com várias Palestras de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares e vários membros do Sistema de Garantia de Direitos, como também contará com a presença de crianças e adolescentes da rede de ensino do município.

Mais informações sobre o evento podem ser obtidas pelo e-mail enecesca@gmail.com ou pelo telefone (81) 99907-6857.


Participe do nosso Evento e conheça o Altas Horas Outlet e o Moda Center Santa Cruz.




O Altas Horas Outlet é um moderno Centro de Compras, com ótima localização, ao lado do Moda Center Santa Cruz. Ambiente climatizado, com praça de alimentação, amplo estacionamento e diversos modelos de lojas, boxes e quiosques pra você investir.

Com área de 50.000m². O empreendimento conta com dormitório, mais de 3 mil pontos de vendas, entre lojas e lojas-boxes, 3 praças de alimentação, 95 vagas cobertas para ônibus, além de vagas para vans e mais de 3 mil vagas para carros e em breve um Hotel.

Participe do nosso Evento e Conheça o Moda Center Santa Cruz


Você sabia que Santa Cruz do Capibaribe é a cidade-mãe do Polo de Confecções do Agreste pernambucano e que as primeiras feiras de confecções começaram na Rua Siqueira Campos e nos arredores há pelo menos cinco décadas?

Hoje nada representa tão bem a competitividade do polo quanto o Moda Center Santa Cruz, empreendimento que escoa a produção de empresas de 54 municípios, 38 desses municípios são pernambucanos e 16 paraibanos.

É, sem dúvida, o melhor ambiente de negócios do setor na região. Tanto que é reconhecido como o maior e melhor centro atacadista de confecções do Brasil.

O gigante

O Moda Center ocupa uma área total de 320 mil m², sendo 120 mil m² de área construída/coberta. O espaço abriga 6 praças de alimentação, 19 hotéis/dormitórios, 707 lojas, 9.672 boxes, 1 centro de eventos, 1 centro administrativo e 6 mil vagas de estacionamento.


Para se ter uma ideia do tamanho do Moda Center, basta dizer que o Shopping Recife tem 5,8 mil vagas de estacionamento, 200 vagas a menos que o Moda Center. Outra comparação interessante: a área que acomoda as lojas e os boxes é maior do que a soma das áreas dos pavilhões do Centro de Convenções de Pernambuco (18,7 mil m²) e do Anhembi em São Paulo (74,5 mil m²).

Diversidade
Contudo, o diferencial do Moda Center é a grande diversidade de produtos de qualidade, seguindo as principais tendências da moda e tudo com excelentes preços, especialmente para quem revende e precisa de bons fornecedores. E se você ainda não conhece, vale muito a pena conhecer: www.modacentersantacruz.com.br.

HOSPEDE-SE NO HOTEL MODA CENTER, E PERCORRENDO MENOS DE 30MTS ESTEJA NO MODA CENTER SANTA CRUZ


Conheça Santa Cruz do Capibaribe



VISITE SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE E CONHEÇA O NATAL ENCANTANDO, O MAIOR NATAL DO NORDESTE.


Confira alguns dos Palestrantes dos Eventos








quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Adolescente escapa de cárcere privado; mãe e padrasto são suspeitos.


Vítima conseguiu fugir do imóvel por uma escada deixada por descuido no quintal. Ela contou que percebeu o "erro" da genitora, conseguiu subir no muro e pular em direção à calçada. A fuga ocorreu na madrugada do dia 21.

A mãe e o padrasto da jovem foram presos, além de outra mulher que vivia com a família no imóvel. Conselho Tutelar acionou a polícia após denúncia de uma vizinha.

Trabalho forçado

Adolescente era obrigada a trabalhar na confecção da família. Aline afirmou que os responsáveis "inventavam que ela não limpou direito ou não trabalhou direito" para justificar castigos e agressões. A conselheira disse ainda que vídeos em posse da polícia registram episódios de assédio praticados pelo padrasto.

A jovem vivia em isolamento total, sem contato com vizinhos, acesso à rua ou telefone. A mãe já tinha histórico de agressões contra outras filhas, segundo o Conselho Tutelar. Não há, porém, registros de denúncias anteriores envolvendo especificamente a adolescente resgatada.

A adolescente voltou a viver com o pai, a madrasta e o irmão após o resgate. Ela passou a receber acompanhamento de saúde, atendimento psicossocial e medida protetiva, além de ser encaminhada ao Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), ao Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e a profissionais de diversas especialidades.

Fonte: UOL



Conselheiros tutelares de município passam a ganhar R$ 5 mil mensais.


Na sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Torres realizada na segunda-feira (24 de novembro), foi aprovado por unanimidade o Projeto de Lei 105/2025, de autoria do Poder Executivo. Este projeto altera a Lei nº 4.795, de 30 de abril de 2015, que dispõe sobre o Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente de Torres.

Na prática se trata do aumento salarial aos Conselheiros Tutelares de Torres, onde o  governo Delci dobra os valores pagos aos titulares da função (que são escolhidos por eleição formal, auditada pelo Ministério Público).

Conforme diz a  o Art. 14 da mesma lei, agora os membros do Conselho Tutelar receberão, a título de remuneração, uma gratificação mensal no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) “sendo reajustado anualmente conforme a reposição salarial dos servidores públicos”

Vereadores da base aliada do governo utilizaram seus espaços de debate antes da votação para comemorar o feito, lembrando que participaram da luta da categoria desde o final do ano de 2024 ( após eleitos), embora a municipalidade tenha prometido (conforme o presidente da Câmara, Igor Beretta) encaminhar a matéria para ser votada na Casa Legislativa ainda em março.

Conselheiros de Torres

O Conselho Tutelar municipal é o órgão que atua no sentido de garantir os direitos das Crianças e dos Adolescentes, para que que sejam tutelados pelo Estado ( de todas as esferas)  em casos de agressão ou abandono  dos familiares, além de atuar como orientador de políticas públicas acerca da questão dos  mesmos direitos, objetivando aprimorar  e ampliar a rede de proteção do Estado ao Estatuto Da Criança e do Adolescente (ECA).

Os atuais conselheiros Tutelares em Torres foram eleitos em 2023 para mandato de quatro anos (Quadriênio 2024/2028).   Em janeiro de 2024, eram titulares, por ordem decrescente de número de votos obtidos: Iara Beatriz do Nascimento Cardoso Roldão, Luciana Pinho Lupim Gatto, Maria Beatriz Vargas da Rosa de Carvalho, Daiana Schirmer e Felipe Matos.

Os conselheiros tutelares vão receber os novos salários já a partir da promulgação do Projeto de Lei aprovado por unanimidade pela Câmara de Vereadores desta legislatura, embora tenham sido eleitos durante a legislatura passada, em 2023.

Fonte: Blog A Folha

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Inscrições abertas para 5,6 vagas em 34 cursos gratuitos da Egape.


A Escola de Administração Pública de Pernambuco (Egape), da Secretaria de Administração (SAD), está com inscrições abertas para mais de 5,6 mil vagas em 34 cursos gratuitos que serão realizados em dezembro. As capacitações são oferecidas nas modalidades presencial, com 152 vagas, e à distância, com 450 vagas para turmas de EaD ao vivo ou com tutoria. Há também 5 mil vagas para cursos autoinstrucionais. As inscrições, gratuitas, devem ser realizadas no site da instituição (www.egape.pe.gov.br).

O diretor da Egape, Henrique Oliveira, destacou a relevância da oferta dos cursos. “Investir em capacitação contínua dos servidores é fortalecer a máquina pública e devolver à sociedade um serviço de excelência. Cursos gratuitos qualificam quem já está na linha de frente, resultando em serviços públicos mais ágeis, de qualidade e eficientes para toda a sociedade”, enfatizou.

Podem participar dos cursos servidores públicos estaduais, municipais e a população em geral. Entre as opções disponíveis para dezembro, destaca-se o curso presencial “Oratória, Retórica e Estratégias de Comunicação”, que aborda comunicação oral, expressão corporal, estratégias retóricas e a estruturação eficaz de discursos.

Na modalidade EaD ao vivo, um dos destaques é o curso “Motivação e Liderança na Administração Pública”, que visa identificar a influência positiva da motivação no serviço público, tratando também de qualidade de vida no trabalho e liderança. Já entre as qualificações autoinstrucionais, sobressai o curso “Básico para Elaboração de Termo de Referência com Fundamentos na Nova Lei de Licitação (Lei Federal nº 14.133/2021)”, que ensina a identificar demandas administrativas, avaliar custos e compreender processos licitatórios.

A Egape tem como principal objetivo coordenar e executar ações do Programa de Educação Corporativa do Estado. Para mais informações, os interessados podem acessar o site da escola ou entrar em contato pelos telefones (81) 3183-8025 (Coordenação Pedagógica) e (81) 3183-8065 (cursos EAD).

Nova lei permite aos conselhos tutelares requisitarem serviços na área de assistência social.


Entrou em vigor a lei que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para permitir que os conselheiros tutelares requisitem serviços públicos na área de assistência social. A lei substitui, no texto do ECA, a expressão "serviço social" por "assistência social", que tem alcance mais abrangente.

Sancionada pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, a Lei 15.268/25 foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

A lei tem origem em projeto (PL 8251/17) da deputada Maria do Rosário (PT-RS) e altera o trecho do ECA que contém as atribuições do conselho tutelar. Segundo a deputada, a atual redação gera prejuízos a crianças e adolescentes caso a lei seja interpretada de forma literal, uma vez que o conselheiro tutelar pode se deparar com a negativa de prestação de importantes serviços.

O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 2023 e depois pelo Senado em outubro deste ano. Na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, o projeto teve parecer favorável da relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP).

Atualmente, os conselheiros tutelares também já podem requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, previdência, trabalho e segurança.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

domingo, 23 de novembro de 2025

Conselho Tutelar: Adolescente é resgatada após ficar dois anos presa no fundo de casa e ser torturada pela mãe e o padrasto.


A mãe e o padrasto de uma adolescente de 16 anos foram presos suspeitos de torturar e manter a jovem presa no fundo de casa e ser torturada por dois anos. O caso aconteceu no Setor Leste Vila Nova, em Goiânia, e só foi descoberto porque a vítima conseguiu fugir durante a madrugada e pedir ajuda a vizinhos, que ligaram para o pai. Ele viajou para Goiânia e chamou a polícia. Uma mulher, que morava com a família , também está presa, segundo a Polícia Civil.

Segundo reportagem da TV Anhanguera, a adolescente era mantida nos fundos da residência, privada de convivência social e alimentação adequada, apresentava ferimentos pelo corpo e estava muito magra.

A reportagem apurou que ela e a mãe são de Novo Gama, no entorno, e haviam se mudado para a capital há dois anos, após a separação do casal. Na residência moravam com elas o padrasto e a outra mulher, que participaria das agressões. O g1 não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos presos.

Ao g1, a Delegacia Estadual da Mulher (DEAM), especializada que atendeu a denúncia, informou que os suspeitos estão detidos, mas não deu informações sobre a ocorrência, nem sobre o crime no qual o trio irá responder. A Polícia Civil disse à reportagem que foi noticiada dos fatos e o caso será investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Informou que as investigações estão em andamento e prosseguirão sob sigilo até a conclusão do inquérito policial.

Na noite de sexta-feira (21), a adolescente passou por exames no Instituto Médico Legal (IML) para avaliar as lesões sofridas e verificar se também houve violência sexual. Antes disso, ela foi atendida no Hospital Estadual da Mulher (HEMU), onde recebeu os primeiros cuidados médicos.

Cárcere privado e tortura

Segundo o pai da adolescente, que veio para Goiânia em socorro da filha, a mãe nunca retornou com a menina após a mudança, mesmo tendo prometido manter o contato. Ele disse que tentava falar com a jovem, mas não tinha sucesso.

Eu não conseguia falar com a mãe, mas ela falou: ‘não, ela tá bem, tá vivendo’. Mas nunca deixou eu ter contato com ela. Aí, pela situação em que a minha filha ficou, vi que ela estava sendo mantida em cárcere privado, presa, dormindo no chão”, relatou.

O homem disse estar horrorizado com a situação e afirmou que a filha era privada de comida e de ir à escola.

“Não deixava a menina estudar, não saía nem pra fora. Eu comprei uma coxinha pra ela mesmo. Disse que tem quase dois anos que ela não comia mais uma coxinha", afirmou.

De acordo com a conselheira tutelar Aline Pinheiro Braz dos Santos, em entrevista ao repórter da TV anhanguera John Willian, a adolescente era constantemente punida por questões banais.

“Eles criavam formas de punir. Simplesmente por não gostar da forma que ela fez alguma coisa. A punição talvez era não tomar banho, ficar a noite inteira de joelho. Ela ficava três dias ou mais sem se alimentar. Ela está bastante machucada das agressões que sofria”, disse Aline.

Fonte: G1

Unicef: mais de 400 milhões de crianças vivem em privação severa.


Nos países de baixa ou média renda, 417 milhões de crianças enfrentam privações severas em pelo menos duas áreas vitais para sua saúde, desenvolvimento e bem-estar. O número representa uma em cada cinco crianças que vivem nos 130 países analisados em relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta quinta-feira (20), Dia Mundial da Criança.

O objetivo do estudo, chamado de Situação Mundial das Crianças 2025: Erradicar a Pobreza Infantil, é avaliar a amplitude da pobreza multidimensional, medindo privações em seis categorias: educação, saúde, moradia, nutrição, saneamento e água. A análise mostra que 118 milhões de crianças no mundo enfrentam três ou mais privações, e 17 milhões enfrentam quatro ou mais.

“Crianças que crescem na pobreza e privadas de direitos essenciais como boa nutrição, saneamento adequado e moradia enfrentam consequências devastadoras para sua saúde e desenvolvimento”, avaliou a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell.

Segundo ela, o cenário pode ser transformado quando os governos se comprometem a erradicar a pobreza infantil por meio de políticas eficazes. "Eles podem abrir um mundo de possibilidades para as crianças”, afirmou.

No entanto, o relatório aponta que a proporção de crianças enfrentando uma ou mais privações severas em países de baixa e média renda caiu de 51% em 2013 para 41% em 2023. Isso se deu, principalmente devido à priorização dos direitos da criança em políticas públicas nacionais e planejamento econômico.

As maiores taxas de pobreza multidimensional entre crianças estão concentradas na África Subsaariana e no Sul da Ásia. No Chade, por exemplo, 64% das crianças enfrentam duas ou mais privações severas.

Desigualdade

A falta de saneamento atinge 65% das crianças que vivem sem acesso a banheiro em países de baixa renda; 26% em países de renda média-baixa e 11% em países de renda média-alta. A falta de saneamento adequado aumenta a exposição das crianças a doenças graves, como diarreias ou arboviroses.

De acordo com o Unicef, apesar dos conflitos, crises climáticas e ambientais e mudanças demográficas, ainda assim, é possível avançar na erradicação da pobreza infantil. O estudo destaca que a Tanzânia, por exemplo, reduziu a pobreza infantil multidimensional em 46 pontos percentuais entre 2000 e 2023, impulsionada por programas de transferência de renda e empoderamento das famílias para tomar decisões financeiras. Já em Bangladesh, a pobreza infantil caiu 32 pontos percentuais no mesmo período, graças a iniciativas governamentais que ampliaram o acesso à educação e à eletricidade, melhoraram a qualidade das moradias e investiram em serviços de água e saneamento, reduzindo a defecação a céu aberto de 17% em 2000 para zero em 2022.

O relatório também analisa a pobreza monetária, que limita ainda mais o acesso das crianças a alimentos, educação e serviços de saúde. De acordo com o estudo, mais de 19% das crianças no mundo vivem em pobreza monetária extrema, sobrevivendo com menos de US$ 3 por dia. Quase 90% dessas crianças estão na África Subsaariana e no Sul da Ásia. A análise incluiu ainda 37 países de alta renda, mostrando que cerca de 50 milhões de crianças – ou 23% da população infantil nesses países – vivem em pobreza monetária relativa. Isso significa que suas famílias têm renda significativamente menor que a maioria naquele país.

Embora a pobreza tenha diminuído, em média, 2,5% nos países de alta renda entre 2013 e 2023, o progresso estagnou ou retrocedeu em muitos casos. Na França, Suíça e Reino Unido, por exemplo, a pobreza infantil aumentou mais de 20%. No mesmo período, a Eslovênia reduziu sua taxa de pobreza em mais de um quarto, graças a um sistema robusto de benefícios familiares e legislação sobre salário mínimo.

O Unicef destaca que o relatório é divulgado em um momento em que muitos governos estão reduzindo a ajuda humanitária internacional. Estimativas recentes indicam que os cortes podem deixar mais 6 milhões de crianças fora da escola já no próximo ano.

“Antes mesmo da crise global de financiamento, muitas crianças já estavam privadas de suas necessidades básicas”, disse Catherine Russell.

Segundo a diretora executiva do Unicef, governos e empresas devem fortalecer os investimentos em serviços essenciais para manter as crianças saudáveis e protegidas, “garantindo acesso a itens básicos como boa nutrição, especialmente em contextos frágeis e humanitários. Investir nas crianças é investir em um mundo mais saudável e pacífico – para todos”.

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Comissão aprova atualização do ECA sobre educação obrigatória e gratuita prevista na Constituição.


A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que atualiza pontos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para prever a obrigatoriedade e a gratuidade da educação básica (ensinos infantil, fundamental e médio) dos 4 aos 17 anos. Esse entendimento está na Constituição desde 2009. O texto segue agora para o Senado, caso não haja recurso para análise pelo Plenário.

O texto aprovado foi o substitutivo da Comissão de Educação para o Projeto de Lei 2234/24, da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ). O substitutivo faz alterações em outros pontos do ECA que fazem referência à obrigatoriedade da oferta de ensino.

O deputado Rafael Brito (MDB-AL) foi o relator da proposta tanto na Comissão de Educação como na Comissão de Constituição e Justiça. Para ele, o texto alinha o ECA ao comando constitucional vigente desde a Emenda Constitucional 59, substituindo referências ao ensino fundamental pela educação básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos. "Não há afronta aos princípios constitucionais", disse.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Por que 20 de novembro é o Dia da Consciência Negra? Entenda o significado da data.


Dia 20 de novembro é considerado o Dia da Consciência Negra em homenagem ao legado de Zumbi dos Palmares, líder do maior e mais duradouro território de residência negra das Américas, de acordo com Cláudia Alexandre, pós-doutoranda em antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP).

“Zumbi foi assassinado em 20 de novembro de 1695. Essa data simboliza a violência do racismo e a perseguição do sistema escravocrata enquanto um projeto. Assim como a potência da luta e da resistência negra pela liberdade”, afirma a especialista.

Para Cláudia, a escolha da data não é apenas um gesto de memória, mas uma revisão necessária da narrativa oficial. “Por muito tempo os livros escolares fizeram com que as crianças nas escolas celebrassem o 13 de maio como marco da abolição, o que apaga as existências negras e desloca o protagonismo para a figura de uma princesa branca”, complementa.

“Em 13 de maio de 1888, 80% dos negros já tinham ganho a liberdade pela carta de alforria ou como resultado da luta abolicionista no Brasil”, explica a antropóloga, que defende que o 20 de novembro recoloca no centro aqueles que lutaram, criaram estratégias, construíram comunidades, preservaram culturas e imaginaram um Brasil possível muito antes da abolição por decreto.

O que representa a Consciência Negra?

Para Luana Ozemela, especialista em equidade racial e Chief of Sustainability (CSO) do iFood, a consciência negra representa o momento em que o Brasil é convidado a enxergar como a questão racial molda acesso, poder e oportunidades. “É um lembrete incômodo, mas necessário, de que a equidade não é um gesto simbólico: é uma decisão de negócio, de governança e de futuro”, diz.

Já na percepção de Ana Bavon, consultora especialista em Direitos Humanos e ESG, o termo representa a afirmação da identidade negra como potência coletiva e sua recusa em aceitar narrativas que reduzam à dor ou à falta. “Simboliza o reconhecimento do nosso lugar social como sujeitos históricos, políticos e jurídicos, ou seja, pessoas dotadas de direitos e não de concessões”, afirma

“Individualmente, é um convite profundo ao pertencimento e à compreensão de que a nossa existência não é uma exceção; não é um um desvio. Ela é o próprio fundamento da sociedade”, finaliza Luana.

Fonte: Valor Econômico

Consulado pede providências sobre agressão a criança brasileira.


O consulado brasileiro na cidade do Porto, em Portugal, entrou em contato com autoridades portuguesas, solicitando informações sobre o ocorrido com o menino brasileiro de 9 anos, que sofreu amputação parcial de dois dedos em uma escola naquele país.

Os diplomatas brasileiros contactaram também a mãe do menino, Nívea Estevam, a quem foi oferecida assistência jurídica e psicológica à família.

O caso ocorreu em Cinfães, no dia 10 de novembro, na Escola Básica Fonte Coberta. As suspeitas são de que a agressão – cometida por outros estudantes que teriam usado uma porta do banheiro para pressionar os dedos da criança – teria sido motivada por xenofobia e racismo.

Relatos da mãe da criança indicam que estudantes praticavam bullying contra seu filho. O caso chamou a atenção da mídia portuguesa, levando a coordenadora do Bloco da Esquerda (BE), Mariana Mortágua, a questionar o Ministério da Educação de Portugal sobre a possibilidade de se tratar de mais um caso de racismo e xenofobia nas escolas do país.

Informações e providências

A solicitação de informações sobre o caso foi feita pelo embaixador do Brasil em Lisboa, Raimundo Carrero, a autoridades dos ministérios da Administração Interna e da Educação, Ciência e Inovação.

Segundo as autoridades consulares brasileiras, na solicitação de informações foi pedido também que providências sejam adotadas, caso se confirmem as suspeitas de motivações xenofóbicas ou racistas contra o estudante brasileiro, que é negro.

Denúncia

Diante do ocorrido, a mãe do menino usou as redes sociais para denunciar o caso. Disse que foi procurada pela escola, que classificou o caso como um acidente. Disse também ter sido mal atendida, ao contactar a polícia pública portuguesa para denunciar o caso, após ter informado sobre a possibilidade de se tratar de um caso de racismo.

Segundo ela, o policial teria batido na mesa e dito que não toleraria que se falasse em racismo ou xenofobia porque todos seriam iguais em Portugal, e que se a escola havia dito que foi algo acidental, é porque, de fato, teria sido um acidente.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Conselho Tutelar acolhe seis crianças de creche clandestina.


O Conselho Tutelar de Batayporã, juntamente com a Vigilância Sanitária Municipal, acionou a Polícia Civil após identificar o funcionamento de uma creche clandestina no bairro Benedito Schaefer.

A creche já estava sendo investigada pelo funcionamento irregular e havia sido interditada anteriormente pela Vigilância Sanitária.

Após a denúncia, a Polícia Civil foi até o local na manhã desta segunda-feira (17) e seis crianças foram encontradas sob os cuidados de uma mulher de 49 anos.

O Conselho Tutelar acolheu as crianças e a mulher, que não havia cumprido a ordem de suspensão da creche, foi conduzida à Delegacia, onde prestou esclarecimentos e assinou Termo de Compromisso e Liberação.

Foram aplicadas medidas cautelares diversas da prisão, para impedir que a mulher volte a exercer atividades de creche, mesmo de forma informal. O Ministério Público emitiu parecer favorável e a solicitação aguarda decisão judicial.

Fonte: Correio do Estado


PM encaminha menor à Delegacia por se passar por outro aluno em colégio.


Um adolescente de 17 anos foi encaminhado pelo Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária (BPEC) da Polícia Militar à Delegacia de Polícia Civil na noite desta segunda-feira (17).

Conforme a PM, há cerca de três semanas o menor estaria se passando por outro aluno no Colégio Estadual do Bairro Santa Cruz, o que segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), configura ato infracional análogo ao crime de falsidade ideológica.

Hoje, ao ser questionado por servidores ele confirmou que estava se passando por outro estudante. O motivo do ato e quem seria o outro aluno não foram repassados.

O caso foi encaminhado à Delegacia, onde as medidas cabíveis seriam tomadas.

Fonte: CGN


segunda-feira, 17 de novembro de 2025

CCJ aprova programa de atendimento integral a crianças e adolescentes vítimas de violência.


Na reunião desta segunda-feira (17), a Comissão de Constituição, Justiça, Redação e Legislação Participativa (CCJ) da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) aprovou o Projeto de Lei Ordinária (PLO) 451/2025, de autoria da vereadora Jailma Carvalho (PSB). A proposta cria o Programa Municipal de Atendimento Integral a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, com foco em oferecer acolhimento humanizado, seguro e interdisciplinar a crianças e adolescentes que tenham sido vítimas ou testemunhas de violência.

Entre os objetivos do Programa estão: fortalecer a rede de proteção e atendimento; garantir ambientes adequados para acolhimento, escuta e acompanhamento especializado; minimizar os impactos psicológicos e sociais decorrentes das agressões; desenvolver ações educativas e preventivas contra todas as formas de violência; e apoiar famílias e responsáveis, contribuindo para fortalecer vínculos e evitar a reincidência.

A iniciativa segue princípios como a prioridade absoluta de crianças e adolescentes, conforme previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Também estabelece diretrizes baseadas na proteção integral, atendimento humanizado, articulação intersetorial entre diversas áreas, saúde, educação, assistência social, segurança pública e sistema de Justiça, e prevenção da revitimização, com uso de escuta especializada e depoimento especial, conforme a Lei Federal 13.431/2017 e o Decreto 9.603/2018. O Programa ainda prevê participação da sociedade civil na rede de proteção e a produção de dados para embasar políticas públicas.

Fonte: Parlamento PB