O aumento nos registros de desaparecimentos de crianças e adolescentes em Parintins acende um alerta sobre o papel da sociedade nessas buscas. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o Conselho Tutelar do município contabilizou quatro casos, o mesmo volume de casos de todo o semestre de 2025.
Diante desse cenário, o conselheiro Adson Almeida reforça que a população deve agir com responsabilidade e empatia, principalmente no ambiente digital. Segundo ele, os julgamentos morais dificultam a proteção e ampliam o sofrimento das famílias.
“Esse ano já tomamos o cuidado, principalmente quando é postagem de meninas a gente tranca os comentários, infelizmente a gente não tem como impedir que outras páginas republiquem. E nós temos hoje um monte de gente que virou repórter do dia pra noite, é jornalista e fica publicando ‘leseira’, não tem responsabilidade com que publica e a gente já chamou atenção, já até protocolou denúncia contra algumas páginas. Se pegasse só a nossa postagem, o nosso material e repostasse, tudo bem, de caráter informativo, realmente ajudando a disseminar informação, mas tem umas páginas, alguns perfis que eles intencionalmente apimentam a situação, comentam, já colocam ali na legenda da postagem algo que é pra induzir o internauta a ir lá comentar as imbecilidades”.
O conselheiro Adson ressalta que quem recebe um menor de idade em sua residência sem autorização dos pais ou sem o conhecimento das autoridades comete crime. A conduta tem previsão no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal.
“A pessoa que recebe na sua casa um menor de idade, sabe que o pai e a mãe não estão sabendo que está lá, tem conhecimento que a criança ou o adolescente está em situação de fuga mesmo que diga – ‘é porque eu estava sofrendo violência’ – se você quer ajudar, receba, acolha dê proteção, mas comunique a autoridades, porque se você não comunica e você está abrigando sem autorização dos pais ou sem comunicar as autoridades que você está com um adolescente menor de idade na sua casa, você está cometendo um crime”.
De acordo com Almeida, a sociedade deve manter a solidariedade e a vigilância ética. Ele afirma que ninguém deve substituir a investigação por julgamentos de valor, pois essa prática revitimiza a criança ou o adolescente em situação de vulnerabilidade.
“A gente pede encarecidamente a comunidade que, quando a gente faz uma publicação não estamos brincando, estamos fazendo algo que é legalmente permitido a gente está transmitindo o desespero de uma família que está preocupada que está querendo saber o que está acontecendo com esse menino e não interessa se ele ou ela fugiu de casa porque está namorando, a questão não é essa a gente só quer que ele volte pra casa”.
Fonte: Alvorada Parintins




































